segunda-feira, 23 de junho de 2025

Guerras e as Ações Concretas para um Mundo Livre de Violência


A guerra, em qualquer de suas formas, é a expressão mais cruel da ignorância humana. Ela nasce do apego profundo à identidade, seja ela individual, nacional, étnica ou ideológica. Quando nos esquecemos de que a verdadeira natureza da existência é interdependente e impermanente, alimentamos as chamas do conflito, movidos por um desejo de separação que transcende a razão.

É fundamental que, ao analisarmos as tensões de guerra, nos afastemos da visão reducionista de que o conflito é apenas uma batalha de forças físicas, políticas ou militares. A guerra é, antes de tudo, uma guerra espiritual. Ela começa no interior de cada ser humano, quando o medo, o egoísmo e o desejo de poder obscurecem a clareza da mente. Quando não conseguimos olhar para o outro com compaixão e reconhecemos nele, ao invés de um irmão, um inimigo, a guerra se torna inevitável.

Nos momentos em que os ataques se tornam frequentes, sejam eles armados ou psicológicos, nossa responsabilidade não é apenas reagir ou responder com a mesma violência. Em uma sociedade imersa na raiva e na intolerância, a verdadeira coragem reside em parar, observar e compreender. Como nos ensina o Dhammapada: "Mente é tudo; o que você pensa, você se torna." Se permitirmos que a mente se encha de ódio, ela nos arrastará para um ciclo interminável de sofrimento. Em vez disso, devemos cultivar a sabedoria para ver além da superfície, para reconhecer a dor e a fragilidade humanas em ambos os lados do conflito.

Em minha reflexão, não posso deixar de lembrar das palavras de Buda sobre a importância da ação não-violenta e do não-apego. A violência não é uma solução, mas uma perpetuação do sofrimento. A lógica da guerra, que se alimenta da destruição e da morte, só pode gerar mais destruição e morte. Em um mundo em que o capitalismo e a busca incessante por recursos e poder ditam o ritmo das relações, a guerra se torna, também, uma consequência de uma lógica de exploração e desumanização. A desigualdade, que corrói as fundações da justiça e da dignidade, é uma das principais fontes de conflito. O imperialismo, a exploração econômica, as tensões religiosas e étnicas, tudo isso é alimentado por um sistema que valoriza mais o lucro do que o bem-estar humano.

Em uma era digital, onde a informação se torna uma arma e as distâncias são encurtadas, as guerras não se limitam mais aos campos de batalha tradicionais. Os ataques vêm de múltiplas frentes: das palavras, das imagens, das mentiras e das verdades distorcidas. Aqui, a necessidade de discernimento se torna ainda mais urgente. O Bodhisattva, aquele que busca a iluminação para o benefício de todos os seres, não se contenta em apenas observar o sofrimento. Ele se compromete a atuar, mas sempre com a motivação pura, livre do apego e da raiva. Assim, a resposta a essa violência deve ser uma resposta de compreensão profunda, de compaixão e de ação ética.

A crítica ao capitalismo é uma crítica à guerra, pois este sistema de exploração e divisão alimenta as condições para que o conflito floresça. O neoliberalismo, com sua lógica de competição e individualismo, não apenas destrói o meio ambiente, mas também arranca da humanidade a sua capacidade de empatia e solidariedade. As guerras, sejam elas explícitas ou implícitas, são a consequência direta dessa ordem social que vê o ser humano como uma unidade isolada, desconectada da coletividade e do cosmos.

Neste cenário, o caminho da transformação não se encontra no campo da resposta bélica, mas na revolução interna. Se desejamos um mundo sem guerras, devemos cultivar um coração livre de raiva, um espírito impregnado de sabedoria e compaixão. Somente quando entendermos a interconexão entre todos os seres e a efemeridade de nossas existências, seremos capazes de desconstruir a lógica que sustenta a guerra. A verdadeira paz não é a ausência de conflito, mas a presença de entendimento e de harmonia no interior de cada um.


É hora de refletirmos sobre nossas ações, nossos pensamentos e nossas palavras. Precisamos questionar as narrativas que nos são impostas, os sistemas que nos dividem e nos fazem ver o outro como inimigo. E, acima de tudo, devemos trabalhar por uma mudança que comece em nós mesmos, pois como Buda disse: "O que somos é o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo." A transformação começa no interior, e somente através dela seremos capazes de gerar um mundo mais justo e pacífico para todos os seres.


Após essa profunda transformação interior, que nasce da reformulação dos nossos pensamentos e da conquista de uma visão mais clara sobre nossa interdependência com todos os seres, é imperativo que tomemos ações concretas para que essa mudança se materialize no mundo ao nosso redor. Não basta apenas cultivar um coração puro e uma mente serena em um contexto de retiro espiritual, se não houver uma expressão dessa transformação nas relações cotidianas e nas ações que moldam a sociedade. O caminho para a verdadeira paz exige que nos envolvamos com o mundo, não para dominá-lo, mas para aliviá-lo de suas mazelas.

Primeiramente, a prática da compaixão ativa se torna essencial. Não podemos ser espectadores passivos do sofrimento alheio. Se, como ensinou Buda, todos os seres estão imersos na roda do samsara, a compreensão de que nosso sofrimento não é isolado e que o sofrimento do outro é também o nosso, nos leva a agir de maneira compassiva. Isso pode se traduzir em ações diárias, como apoiar aqueles que vivem na pobreza, fornecer ajuda a vítimas de injustiças sociais, ou atuar contra a exploração que marca o capitalismo contemporâneo. Cada ato de generosidade e apoio é uma semente que podemos plantar para transformar a realidade ao nosso redor.

A educação, tanto formal quanto informal, é um campo poderoso de ação. Promover a conscientização e a educação sobre a interdependência, a ética budista e as injustiças estruturais, como o capitalismo e a opressão sistêmica, é uma das formas mais eficazes de começar a reformar as estruturas sociais que sustentam a violência e a desigualdade. No âmbito das escolas, universidades e até nos círculos informais, a disseminação de ensinamentos que questionam os valores consumistas, que resgatam a importância da empatia e da justiça social, deve ser uma prioridade. Cada ser que desperta para a interconexão de todos os seres humanos e para a transitoriedade da vida torna-se uma centelha de transformação coletiva.

Além disso, engajamento político e social é uma extensão natural do pensamento reformado. As escolhas que fazemos enquanto cidadãos — desde como votamos até como nos posicionamos nas questões que envolvem direitos humanos, justiça econômica e ambiental — devem refletir nossos valores espirituais. É nosso dever agir contra os sistemas de exploração e opressão que perpetuam as condições que alimentam a violência, seja em guerras explícitas ou na violência silenciosa da desigualdade e da exclusão social. Não podemos nos isolar do mundo político, pois a ausência de ação é, em si mesma, uma forma de cumplicidade.

No campo ambiental, a crise ecológica é um reflexo direto da desconexão que sentimos com a Terra e seus seres. Devemos ser agentes ativos na proteção do meio ambiente, reconhecendo que o planeta não é um recurso para ser explorado, mas um ente vivo e interdependente. O engajamento em práticas sustentáveis, a defesa dos direitos ambientais e o apoio a políticas que visam preservar a biodiversidade são ações concretas que devem ser tomadas com urgência, pois o bem-estar da Terra é inseparável do bem-estar de todos os seres.

Por fim, a prática contínua da meditação e do autoexame profundo são cruciais para manter a clareza do propósito e a pureza da ação. A meditação nos permite não apenas desenvolver uma mente tranquila e focada, mas também cultivar o discernimento necessário para discernir quais ações são mais alinhadas com os valores espirituais que desejamos promover. A prática constante de reflexão sobre as ações cotidianas nos ajuda a corrigir o rumo sempre que nos desviamos do caminho da ética e da compaixão.

A verdadeira transformação começa dentro de cada um de nós, mas não deve terminar ali. Somente ao unir a sabedoria e a compaixão internas com ações concretas de justiça, equidade e proteção, podemos caminhar em direção a um mundo livre das amarras do sofrimento e da ignorância.


Que possamos ser instrumentos de mudança não apenas na busca pela iluminação individual, mas também na construção de uma sociedade mais consciente, harmônica e justa para todos os seres.


domingo, 15 de junho de 2025

O Sofrimento É Natural ou Condicionado? - Parte 1


Vivemos tempos em que a dor humana é tratada como falha individual.

Uma crise de ansiedade vira falta de foco. Um luto prolongado, sinal de fraqueza. A pobreza, uma consequência de escolhas ruins.

Estamos imersos em discursos que desresponsabilizam as estruturas e culpabilizam os indivíduos.

Mas... e se o sofrimento não for um dado inevitável da existência, mas sim um fenômeno condicionado?

O budismo ensina: “toda dor nasce de causas, e cessará quando cessarem essas causas”. E se essas causas forem mais amplas do que imaginamos — enraizadas em formas coletivas e desiguais de organizar a vida social, o trabalho e o valor da existência?


Quando o sofrimento vira culpa

Na sociedade atual, especialmente sob a lógica da performance, da produtividade e da meritocracia, somos constantemente bombardeados por uma ideia perigosa: “se você está infeliz, a culpa é sua.”
Essa mensagem, embora muitas vezes sutil, ecoa nas redes sociais, nos discursos motivacionais, nos ambientes de trabalho e até mesmo em abordagens terapêuticas desconectadas da realidade coletiva. O sofrimento deixa de ser visto como parte da experiência humana compartilhada e se torna um sinal de incompetência individual. Sofrer, nessa lógica, é falhar.

Essa narrativa adoece.

Ela cria uma cultura de silêncio e de vergonha, onde expressar dor é visto como fraqueza e buscar ajuda é um sinal de derrota. A pessoa que sofre é empurrada a se isolar, a buscar soluções rápidas e solitárias, como se todo o mal-estar pudesse ser resolvido com pensamento positivo, disciplina ou força de vontade.

O bufismo oferece uma crítica direta a essa visão: ele nos ensina que o sofrimento é condicionado — ele surge de causas internas e externas, e não pode ser compreendido de forma isolada. Quando uma pessoa sofre, ela está reagindo a um conjunto de experiências que a moldaram: expectativas sociais, traumas, injustiças, pressões econômicas, solidão, desigualdade.

Ignorar essas condições é alimentar a ignorância — uma das raízes do sofrimento.

Ao acreditar que somos inteiramente responsáveis por tudo o que sentimos, reforçamos a ilusão de um “eu” fixo, isolado, autoexistente. Esse “eu” — que precisa vencer, dar conta de tudo, controlar todas as variáveis — é uma construção mental que se opõe à realidade da interdependência.

No Budismo, o sofrimento se intensifica na medida em que nos apegamos a esse “eu ilusório” e tentamos, a todo custo, manter uma imagem de controle. Quando aceitamos que o sofrimento faz parte da existência e que suas causas não são exclusivamente nossas, passamos a enxergá-lo com mais sabedoria e menos culpa.

Mas não se trata de escapar da responsabilidade, e sim de reconhecer com lucidez que há sofrimentos que carregamos que não nasceram em nós, mas nos foram impostos — pelo mundo, pela cultura, pelas estruturas.

Essa compreensão não é um convite à inércia, mas à compaixão lúcida: agir não a partir da culpa, mas da compreensão profunda.
Compreender que muitas dores são coletivas e que a libertação também precisa ser — isso é caminhar com sabedoria.


A dor como produto de uma estrutura maior


Nosso modo de vida não apenas tolera a dor: ele a produz sistematicamente. A precariedade, a desigualdade e o sentimento de constante insuficiência não são acidentes históricos, nem falhas morais pontuais. São consequências diretas de um modelo social e econômico que transforma seres humanos em instrumentos de produção, tempo em moeda, natureza em mercadoria, e felicidade em produto de mercado.

Vivemos sob sistemas que operam segundo uma lógica de escassez artificial: sempre falta algo. Falta tempo, falta reconhecimento, falta dinheiro, falta sentido. Essa sensação permanente de carência não é casual. Ela alimenta o ciclo de consumo, impulsiona a produtividade desenfreada e enfraquece os vínculos entre as pessoas. A insatisfação torna-se um combustível da máquina — e, ao mesmo tempo, um sintoma do adoecimento coletivo.

Grandes pensadores contemporâneos denunciam essa dinâmica. Eles mostram que o sofrimento humano não nasce unicamente de nossas decisões individuais, mas é moldado por uma cultura que exalta a competição em detrimento da cooperação, que valoriza mais a aparência do que a substância, mais a performance do que a presença, mais a eficácia do que a escuta.

Trata-se de uma sociedade que nos ensina, desde cedo, que somos o que produzimos, que valemos pelo que entregamos, e que sentir-se exausto é sinal de mérito. O descanso vira preguiça, a vulnerabilidade vira fraqueza, e a tristeza vira disfunção.

Sob essa lógica, até mesmo a espiritualidade é colonizada: transformada em ferramenta de alta performance, reduzida a técnicas de autocontrole emocional, esvaziada de sua potência libertadora.

O Budismo Niskama Karma vai na contramão dessa mentalidade. Ele afirma que a dor deve ser reconhecida com coragem, compreendida com sabedoria, e enfrentada com compaixão lúcida — não como um problema pessoal a ser resolvido isoladamente, mas como um reflexo das causas interdependentes que nos cercam.

A crítica, portanto, não é dirigida ao indivíduo que sofre, mas ao sistema que nos condiciona a competir em vez de cooperar, a esconder em vez de expressar, a buscar alívio solitário para dores que são, essencialmente, coletivas.

Diante disso, a prática espiritual autêntica — aquela que busca cessar o sofrimento na raiz — precisa incluir o olhar social.
Ser lúcido é reconhecer que muitos dos nossos males não se curam apenas com silêncio interior, mas com transformação estrutural.
É entender que não existe iluminação plena enquanto houver sistemas que obscurecem, exploram e excluem.


Despertar sem apego: o caminho Niskama

O Budismo Niskama Karma não propõe uma fuga do mundo, mas um engajamento consciente e livre de apegos. Ele nos convida a agir com clareza, com presença e com compaixão, reconhecendo que o sofrimento do outro é também nosso.

Agir sem esperar reconhecimento, sem desejo de controle, sem apego ao resultado: esse é o caminho da ação lúcida. Uma ação que não reproduz a violência estrutural, mas a dissolve pela compreensão das causas.

Trata-se de viver com profundidade, de enxergar além da superfície das dores, de transformar nossa maneira de estar no mundo.


A vida inclui dor, sim. Mas quando o sofrimento é sistemático, repetitivo e distribuído de forma desigual, ele não é natural — é um sinal de que algo na estrutura precisa mudar.

Reconhecer isso é o primeiro passo para romper o ciclo. É o início de uma prática filosófica e espiritual que não apenas interpreta o mundo, mas se compromete com sua transformação. Uma prática que, como diria um mestre do Caminho, nasce do silêncio, se nutre da compaixão e floresce em lucidez.

quarta-feira, 11 de junho de 2025

Observe sua mente - Parte 2

 Nossos pensamentos nos pertencem. 

Por pior que sejam as condições externas impostas pela vida, os seus pensamentos ainda lhe pertencem – mesmo que sejam pensamentos de insatisfação, de não conformismo, ainda assim são seus pensamentos. 

As decisões que se originam em nossos pensamentos nos pertencem. 

Quando você toma uma decisão qualquer, baseada em seu pensamento, essa decisão é legitimamente sua! 

Seja ela uma decisão correta ou incorreta, ela é uma decisão sua. 

Se for uma decisão correta, produzirá frutos corretos que poderão trazer-lhe a felicidade e a satisfação pessoal; se for uma decisão incorreta, produzirá frutos incorretos que poderão trazer-lhe sofrimentos – mas ainda assim, a decisão ainda é sua. 

Se você decide guardar um livro fora do lugar e perde meia hora procurando por ele, esse sofrimento foi causado por você. 

As ações que podemos realizar a partir das decisões que se originam em nosso pensamento, nos pertencem. 

Note bem que ter a intenção apenas, não basta.
Planejar é diferente de agir.
Mas, quando você põe em ação as decisões que se originaram em seus 

pensamentos, essas ações lhe pertencem. 

Os indianos afirmam que tudo que existe durante um pequeno espaço de tempo ou que possa ser tirado de nós pelo tempo, pelos elementos (fogo, água) ou por um assaltante, na realidade nunca nos pertenceu – e isso inclui nosso corpo e todos os bens materiais. 

Por outro lado, quando aprendermos, através da meditação, a nos contentarmos com o que realmente nos pertence (nossos pensamentos, as decisões que surgem de nossos pensamentos e que dependam de nós e as ações que podemos fazer a partir de nossos pensamentos) então seremos absolutamente felizes pois o que nos pertence jamais poderá ser tirado de nós. 

No entanto, se pretendermos que seja nosso o que não nos pertence (o corpo, a saúde, os bens materiais, as pessoas que amamos), teremos escolhido sofrer eternamente – esse é o verdadeiro inferno. 

Não nos pertencem o corpo, as roupas que usamos e nenhum de nossos bens materiais. 

À primeira vista, isto pode lhe parecer incoerente, mas procure sentir como o oriental percebe essas coisas. 

Se o corpo lhe pertencesse realmente, você jamais ficaria doente, jamais envelheceria e jamais morreria, não é? 

Mas você fica doente, você está envelhecendo (a cada minuto) e vai morrer um dia, não é verdade? 

E, que eu saiba, você não adoece porque quer; você não envelhece porque tem o desejo de envelhecer e você não morre porque está afim de morrer. 

Essas coisas acontecem à revelia de sua vontade – portanto elas não lhe pertencem. 

E quanto às suas roupas? Você está usando hoje a mesma camisa que sua mãe lhe comprou quando você era um bebê? (Essa eu queria ver!) 

Você está usando a mesma camisa que comprou a dez anos atrás? 

Não? E sabe por quê? Porque o tempo consome suas roupas, elas caem de moda, elas não servem mais para você. 

Além do mais, não é só o tempo e a moda que tiram as roupas de você; se um assaltante lhe encostar um revólver, ele lhe tirará a camisa se quiser, não é verdade? 

Pois bem, se um assaltante pode roubar a sua roupa é porque ela não lhe pertence. 

Tudo que um assaltante ou o tempo podem lhe roubar não lhe pertence; eles podem roubar-lhe sua roupa e todos os seus bens materiais porque eles não lhe pertencem, mas eles não conseguem roubar os seus pensamentos, porque eles lhe pertencem. 

quarta-feira, 4 de junho de 2025

Observe sua mente - Parte 1

Procure observar a sua mente; de onde surgem os pensamentos? Nesta etapa, procure observar o encadeamento dos pensamentos a medida que surjam.

Um pensamento surge do pensamento anterior, que procede do outro anterior, que procede do outro, que procede do outro.

Observe essa longa manifestação de pensamentos (minhocação) sem se envolver, apenas observe.

Para observar os pensamentos que fluem através da mente, esqueça o conteúdo e preste atenção ao processo.

Procure observar que há aquele(a) que observa – você – e há uma mente que pensa, à parte daquele(a) que observa.

Foi a partir dessa observação que os sábios da antiguidade criaram o conceito de alma ou espírito, um ser que existe em você, e que não é a sua mente.

Este ser é capaz de observar o fluir dos pensamentos através da mente, compreendendo que, embora a mente seja uma manifestação inerente a si, não é você (é parte de você, mas não é você).

Quando se pratica a meditação, descobre-se que não somos nossa mente, pelo simples fato de que, se o fossemos, bastava querer parar de pensar e pronto – pararíamos de pensar! 

Meus pensamentos existem independentes de mim – já que não sou meu pensamento, posso escolher se quero me envolver com ele ou não. 

Se tenho um pensamento de solidão e me envolvo com ele me sinto solitário; se não me envolvo, apenas o percebo passar. 

O Budismo e outras filosofias do Oriente afirmam que o sofrimento tem sua origem no apego que temos às coisas que não nos pertencem e que a felicidade surge de nos contentarmos com aquilo que legitimamente nos pertence 

Precisamos então, saber duas coisas: 

- O que nos pertence? 

- O que não nos pertence? 

Pertencem-nos apenas: os nossos pensamentos; as decisões que se originam em nossos pensamentos; as ações que conseguimos realizar a partir das decisões que se originam em nossos pensamentos. 

E o que não nos pertence? Todo o resto! 

Não nos pertencem o corpo, as roupas que usamos e nenhum de nossos bens materiais; os pensamentos dos outros, as decisões que não se originam em nossos pensamentos e as ações que independem das decisões que se originam em nossos pensamentos. 

Guerra, violência e o budista bonzinho e pacifista

Muitas pessoas associam a personalidade de alguém budista ao pacifismo, a serenidade, dizem “aquela pessoa é zen”. Isso acontece em virtude das informações que recebem sobre o budismo e pela indicação do Buda para a não-violência.

Porém, devemos ir além dos estereótipos e encarar a realidade de que cada pessoa interage com os sentimentos, sensações e acontecimentos do mundo de acordo com suas percepções, reflexões e absorção do que aprende e vive.

Vejam dois exemplos:

  1. O Buda apontou a não-violência como um dos alicerces ao nosso desenvolvimento. Apesar disso, pudemos acompanhar budistas armados em Mianmar, em sua empreitada contra os muçulmanos, incitados principalmente pelo monge Ashin Wirathu, que ficou conhecido como “o Bin Laden Budista”.

  2. Autoimolação de monges asiáticos em protestos, sendo a mais famosa a do vietnanita Thich Quang Duc. 

Devemos ter cuidado com a descaracterização do que se é estudado, ter sempre muita atenção para perceber sua permeabilidade aos ensinamentos e práticas ao mesmo tempo em que cuidamos para nõo cairmos na armadilha de adaptar esses ensinamentos e práticas à nossa conveniência consciente ou subconsciente.

O Buda é claro nas questões de não-violência e de preservação à vida.

O Suryananda foi feliz em apontar em texto anterior, com suas palavras e a sua maneira, que devemos agir em nossa comunidade, em nosso meio, onde estamos inseridos, de maneira a ofertar as atitudes mais favoráveis possíveis para que isso seja um reflexo.

Eu amplio o texto dele apontando para o vantajoso caminho de ensinar isso e de aplicar a análise das ações de terceiros, QUANDO PERTINENTE, sob a luz do caminho budista.

Exemplo:

Eu pratico o Nobre Caminho Óctuplo. No momento de votar em políticos para os diversos cargos, aplico o crivo dessa Caminho que sigo sobre as informações que tenho acesso. 

Dessa maneira: A terceira prática é a Fala Correta - busco agir com a Fala Correta, de acordo com o que é estudado em nossa Ordem e refletido no dia-a-dia. Então me pergunto: O candidato, mesmo não sendo budista, age de maneira alinhada à Fala Correta?

A quarta prática é a Ação Correta - busco a Ação Correta, de acordo com o que é estudado em nossa Ordem e refletido no dia-a-dia. Então me pergunto: O candidato, mesmo não sendo budista, age de maneira alinhada à Ação Correta?

A não-violência e a preservação da vida são presentes na filosofia budista e eu aceito isso, caso contrário não seria um budista e estaria enganando a mim e aos meus pares. Então me pergunto: O candidato possui ações em prol da não-violência e preservação da vida?

Acabei enveredando pelo assunto política que é pertinente de discussão, mas não é o ponto principal apresentado anteriormente, que fora a guerra (apesar da grande representatividade política na deflagração de guerras).

Pois bem, sobre guerra, como budistas, a orientação deveria ser sempre de repúdio a ela e de compaixão e auxílio aos que sofrem por ela. 

De vibração favorável ao entendimento entre os seres e de incentivo à diplomacia.

Gostaria de ler o que vocês outros têm a compartilhar sobre.

Até breve e fiquem na serenidade do Buda.

Sobre refletir, experimentar e crer - Parte 2

Continuando:

E aí vem a questão: o que leva as pessoas a não experimentarem?

A resposta é longa, mas vejamos alguns pontos:

- Existe a questão cultural, da pessoa que está aprendendo há séculos que deve ser um cordeiro pastorado; que alguém deve pegar em sua mão e lhe conduzir por todas as etapas do caminho.

- Outra questão é o medo: As palavras do Buda foram ditas por ele para que as pessoas despertassem. Mas, acontece muito das pessoas não quererem abandonar os seus pré-conceitos, as coisas que se enganam crer lhes pertencer ou estar sob sua posse. 

Títulos, orgulho. Há pessoas que não querem abrir mão disso; Têm pessoas que não querem abrir mão disso, ou porque estão com os olhos vendados achando que são o que as ilusões do mundo dizem que elas são, ou porque tem medo; porque tem medo da verdade da vida. Me recordo sempre de uma conversa que tive certa vez com um amigo, na qual ele relatava que havia parado de ler um livro que abordava o pós-vida após se deparar com diversas informações que iam contra suas atuais crenças. Ele me disse: “Se aquilo tudo for verdade, prefiro não saber”. Pois é, meu amigo preferira permanecer na ilusão do que ver seus alicerces de crença (que ele mesmo construíra) balançarem.

Agora mais um pouco do porque é importante estudar e experimentar – e em experimentar também entra a reflexão, o raciocínio:

Estudando e refletindo e meditando, a gente consegue compreender além;

Mas isso também trás mais questões, não só respostas, tá?

Veja só: a palavra UNIVERSO, que a acaba usando quando falamos da interdependência: não existia o conceito que temos de universo na época do Buda. O que se usava era TEIA DE INDRA. NO HINDUISMO INDRA É o deus do Ar e das Estações, do Firmamento, senhor das nuvens, das chuvas e dos relâmpagos, dos quais tem o poder. Por sua vontade, caiem as chuvas que tornam a terra produtiva. É aquele "que governa por si próprio", o protetor dos guerreiros, "senhor da energia", para muitos mesmo o rei dos deuses.

A famosa frase budista “somos todos um”. O Buda nunca a disse. Ele não ensinou desse jeito, utilizando-se das palavras dessa maneira, esse “somos todos um”é uma herança do neoconfucionismo após o budismo passar pela China.

Por fim, se tudo é impermanente, seria a iluminação também impermanente? Ou pelo menos a maneira como entendemos a iluminação com base no que conseguimos experenciar?

Será que não temos que cultivar a iluminação para que nela permaneçamos?

Aí talvez eu derrube vocês, neste momento, dizendo isso e fazendo-os pensar que o caminho é ainda mais longo, né?

Sobre refletir, experimentar e crer. - Parte 1

“Não creia em algo porque está escrito em seus livros sagrados. Não creia em algo porque eu o digo. Traga à reflexão e à razão. Se isso a você fizer sentido, então alí deposite seu coração”.

Muito bem, estamos falando aqui sobre acreditar, estamos falando sobre fé.

Sobre ter fé nos ensinamentos do Buda, sobre acreditar ser verdadeiro o Dharma, acreditar que o que chega até nós como o legado do Buda, como sua experiência, é verdadeiro.

Te digo: eu acredito. E porquê? Por causa da experiência, por causa da experimentação e não por ler e simplesmente acreditar. E isso é uma das coisas mais importantes no Budismo; não há a obrigação de ter que acreditar e seguir, não há fé cega e sem questionamentos.

O que é necessário é experimentar e ter sua experiência. Atenção a isso: ter sua experiência, não buscar ter a experiência de outra pessoa.

Eu busco experimentar e, então, confirmo e me entrego. É dito que o Buda Gautama dizia assim: “se o que eu digo pra você for bom, use. Se não for, jogue fora”.

Então tem lá: terceira parte da Senda Óctupla, a Fala Correta: eu experimento usar a fala como é ensinado e vejo os resultados em minha vida.

Segunda parte da Senda Óctupla, a Aspiração Correta: eu experimento usar o primeiro caminho, que é a compreensão, para buscar o que eu realmente preciso, para buscar pensamento correto e vejo quais os resultados na minha vida.

E, por isso, estou falando por mim, porque cada um deve ter isso por si – e por isso eu acredito e confio que o Dharma do Buda, que suas experiências que se inúmeros discursos, é verdadeiro.

Fora do que te pertence, tudo é dor.

Conta a tradição que Siddartha Gautama, logo após tornar-se Buda, ensinou o que chamamos de As 04 Nobres Verdades, isso é um sutra conhecido como Sutra da roda do Dharma.

Nós estudamos este sutra na forma de 04 aforismos, e o primeiro é interpretado como:

FORA DAQUILO QUE TE PERTENCE, TUDO É DOR.

A felicidade existe como um aspecto do mundo em que estamos inseridos. Da mesma forma, existe também o sofrimento.

Você e cada pessoa a sua volta tem momentos de alegria e momentos de tristeza e sofrimento. 

O Budismo Niskama Karma ensina que há 3 coisas que realmente pertencem a cada pessoa: O seu pensamento, a sua vontade e o que

você faz com seu pensamento e sua vontade.

Isso se dá porque qualquer coisa além dessas três citadas podem ser tomadas, perdidas ou estão atreladas a outros indivíduos; assim, não sendo absolutamente dependentes ou ligadas a você, não te pertencem.

Uma das leis da Natureza é a Lei da Impermanência. O dia inicia e termina, as pessoas nascem, envelhecem e desencarnam, sentimentos florescem e minguam. Seus bens materiais depreciam, quebram ou se desgastam.

Há uma frase budista que diz: “Nada é permamente, a não ser a própria impermanência das coisas”.

A Lei da Impermanência é expressada pelo que é chamado de Três Marcas da Existência: Anicca, Anatta e Dukkha.

Esses termos do dialeto pali são traduzidos e interpretados da seguinte maneira:

Anicca (impermanência): Todas as coisas são impermanentes.

Anatta (não-eu ou não-alma): Todas as coisas não passam de expressões temporárias da mudança, não possuem um “eu” eterno e verdadeiro.

Dukkha (sofrimento, insatisfação): Através das duas expressões anteriores, compreendemos que não há nada que cedo ou tarde não venha a transformar-se ou desaparecer, não podemos de fato controlar o que não nos pertence e o sofrimento acontece ao nos relacionarmos com isso.

Perceba que a satisfação de seus desejos causa insatisfação a outros indivíduos, pois aquilo o que uma pessoa toma posse ou usufrui não fica mais disponível da mesma maneira para outras pessoas. 

Muito bem, o sofrimento existe para todos, em maior ou menor proporção. Logo, é acertado o ensinamento de muitos mestres de que as pessoas devem estar alertas aos seus sofrimentos – e estar alerta aos sofrimentos é encará-los com consciência, sem criar fugas às suas origens, mas entrar em contato com elas, pois assim torna-se possível descobrir suas raízes para melhor compreendê-las e, então, agir de maneira a reduzir e eliminar o sofrimento.

O verso de número 277 do Dhammapada diz o seguinte:

"Todas as coisas condicionadas são impermanentes. Quando se vê isso com sabedoria, uma pessoa afasta-se do sofrimento. Este é o caminho da purificação.

Deus do lado de dentro ou do lado de fora?

Você pode ter parado para ler esta coluna por diversos motivos. Talvez você acompanhe minhas publicações; ou talvez o título tenha chamado a sua atenção. Eu não sei qual a sua motivação em separar alguns minutos para ler estas linhas e, sinceramente, isso não me importa. O interessante para mim é como a pergunta te toca, se é que te toca de alguma maneira.

É natural às pessoas a busca por respostas ou acalento acerca da existência da vida e da criação, bem como dos porquês das alegrias e vicissitudes pelas quais passam. Aos fiéis de cada religião ou seita, suas chamadas Escrituras Sagradas contém filosofias de vida, códigos de conduta e as explicações de como se deram e como devem ser suas interações junto a Deus ou as divindades. Porém, mesmo com a existência dessas literatas e das tradições de transmissão oral, há diversos questionamentos que permanecem sobrevoando a mente das pessoas inseridas nessas religiões, seitas e sistemas filosóficos; bem como há os não-crentes no criacionismo ou em uma causalidade, como a chamada pelo pensamento budista de Originação Dependente.

Me parece saudável a reflexão, permanente ou não, de tais porquês e mesmo de Deus. Por um lado, temos assim a chance de retificar ou ratificar fé, posicionamentos e até sentimentos e sensações. E por outro, lembro a frase do famoso Mário Sergio Cortella que diz “(…) o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações“.

Dessa maneira, te convido à uma sequência de reflexões, propondo que inicie acerca da divindade em si e de como isso cala em você: Mais proximidade ao sentimento de existência sugerido por Pascal ou pela maior tendência à racionalidade apontada por Descartes. Em seguida, que tal refletir sobre qual o seu posicionamento, se é que você tem ou quer ter um, sobre seu papel e o papel da divindade em sua vida. Se o tem, seu Deus entrega em recompensa por sua fé (o que alguns chamariam de terceirizar o serviço) ou você é artífice total de sua realização nos diversos campos da vida (que outros talvez o tenham como blasfeme) como apontam, entre diversos pensamentos, a maioria das doutrinas orientais. 

Este caminho de auto-questionamento pode te levar a um destes três pontos: Há a religião que se mostra para mim mais assertiva; ou me alinho com o que escreveu Sri Yukteswar em seu livro A Ciência Divina, de que há uma unidade essencial entre todas as religiões; ou, por fim, sua identificação está mais relacionada ao agnosticismo, deísmo ou ateísmo. 

Isso tudo é apenas uma introdução para você responder a pergunta título deste artigo: Deus do lado de dentro ou do lado de fora?

A esta altura, você já deve ter percebido que entregar respostas, ou talvez ser claro, não é a minha intenção. Faço minhas as palavras do saudoso Chacrinha: “Eu não vim para explicar, vim para confundir“. 

Assim, te deixo com essa provocação e me ocorre agora que pode parecer interessante encerrar com uma frase que é creditada a um tal de Buda Siddhartha Gautama (hehehe), de quem talvez você já tenha ouvido falar: “Não creia em algo porque está escrito em seus livros sagrados. Não creia em algo porque eu o digo. Traga à reflexão e à razão. Se isso a você fizer sentido, então creia/siga/alí deposite seu coração“.

Esoterismo, religião, escrituras sagradas, budismo

 É natural às pessoas a busca por respostas ou acalento acerca da existência da vida e de toda a criação, bem como dos porquês das alegrias e vicissitudes pelas quais passam. 

Aos fiéis de cada religião, suas Escrituras Sagradas contém filosofias de vida, códigos de conduta e as explicações de como se deram e devem ser suas interações junto a Deus ou as divindades. 

Dessa maneira, o uso das Sagradas Escrituras é muito amplo, abrangendo desde o uso como instrumento de estudo e pesquisa até sua visão tal qual uma bússula que aponta o norte a ser seguido na convivência social e no que tange à Deus ou divindades, podendo ser à algumas religiões e seitas o códice absoluto de regras a serem seguidas pelo ser humano. 

Com base na definição de Helena Blavatsky, cofundadora da Sociedade Teosófica, de que esotérico é ”o que está dentro, é o verdadeiro significado da doutrina, sua essência”, o  esoterismo está apontado aos fundamentos das estruturas religiosas.

A origem da palavra religião está no latim ‘religio’, de onde encontraremos as formas nominais ‘relegere’ e ‘religare’.

‘Religare’ significa religar e envolve a idéia de tornar a ligar homem e divindade.

‘Relegere’ é reler. Reler envolve a ação de revisitar a literatura sagrada e também de fazer uma releitura da ligação entre homem e divindade.

Torna-se natural atrelar o estudo esotérico aos estudos das religiões e mesmo da(s) divindade(s), uma vez que estes últimos tratam da utilização de literaturas como ferramentas a um processo de interiorização e/ou de busca das questões de ligação entre homem e Deus.

Em dicionários da língua portuguesa, o verbete esotérico está atrelado a “Diz-se do que, ciência, doutrina ou prática, se fundamenta em saberes sobrenaturais”.

Etimologicamente, a palavra sobrenatural é junção sobre + natural, tendo como definições os excertos abaixo:

adjetivo Miraculoso; só conhecido pela experiência da fé.[Figurado] Sobre-humano; que não se consegue alcançar, atingir naturalmente: esforço sobrenatural às questões humanitárias.[Por Extensão] Extranatural; que vai além do natural, do comum: forças sobrenaturais.[Figurado] Excessivo; exageradamente grande: trabalho sobrenatural.substantivo masculino Fenômeno não comprovado cientificamente.[Por Extensão] Aquilo que se expressa ou ocorre extraordinária e maravilhosamente.Etimologia (origem da palavra sobrenatural). Sobre + natural.

As sentenças “só conhecido pela experiência da fé”, “miraculoso” e “Aquilo que se expressa ou ocorre extraordinária e maravilhosamente” vão de claro encontro aos estudos de textos e escrituras sagradas.

A GNOSE relaciona o esoterismo ao termo “Ciências Ocultas”, apontando que as grandes religiões possuem sua parte esotérica.

Nas Ordens RosaCruz e Martinista, nas quais estou inserido além do budismo, apresentamos três expressões que caracterizam o esoterismo: a iniciação, a transmissão dos conhecimentos e o sigilo.

Na Ordem Niskama Karma vivenciamos a filosofia budista da maneira como Siddhartha Gautama ensinou. Assim, não vemos ou tratamos os ensinamentos budistas como secretos e sigilosos, o que apresentamos é: assim como uma criança inicia seus estudos nas fases fundamentais até chegar à sua formatura nos cursos superiores e de pós-graduação, há uma evolução nos estudos budistas, respeitando uma ordem sequencial para compreensão e desenvolvimento – desenvolvimento este que é um para o leigo e outro para o monge/asceta.

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